Pedro Lopes

 

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Entrevista a Pedro Lopes

 

1) Quem é o Pedro ?

     Essa é uma pergunta difícil… O Pedro que eu dou a conhecer nas minhas publicações é representativo de um Eu que gosta de transmitir sentimentos e emoções para o papel, a partir dai o leitor é livre de construir uma imagem do Pedro autor… 

 


2) Qual o género preferido (e porquê) ?

     Eu diria que é romance histórico, porque espero aprender sempre algo novo com a leitura e porque este tipo de literatura tem o poder de nos transportar para mundos pretéritos que povoam o nosso imaginário.



3) O que tem a dizer sobre o acordo ortográfico?

     O acordo ortográfico é um mal, mas um mal necessário. Constitui uma oportunidade de harmonizar a ortografia da língua portuguesa, de acabar com o distanciamento gerado com a existência do português de Portugal e o português do Brasil, que se agudizava a passos largos. Quem de alguma forma acompanha publicações impressas do outro lado do atlântico, nota certamente diferenças substanciais, que causam incomodo à leitura.

     Poderemos ser puritanos e querer conservar a fórmula originária, mas na verdade a ortografia da língua portuguesa ao longo da história sofreu sucessivas alterações evolutivas. Não é um drama acomodar as alterações sugeridas/introduzidas, na grande maioria entendo que torna a língua mais intuitiva, mais amiga do utilizador na sua forma de redução a escrito, com a aproximação da grafia da pronúncia. Nem tudo é perfeito, com alguma facilidade se pode dar alguns exemplos de imperfeições geradas, mas no meu entender são coisas menores que para elas temos de olhar com pragmatismo de superação, pormenores no meio de um todo benéfico.

     Não faz sentido algum ter uma perspetiva de isolamento, de puritanismo linguístico, de tentar conservar neste retângulo de dez milhões de habitantes o radical supremo de uma língua que tem potencial para ser universal.

     O acordo se praticado em toda a lusofonia será benéfico para a subsistência da língua portuguesa, com fator de união das comunidades que dela usufruem. Não podemos esquecer que a língua portuguesa não é só nossa, mas é sim de todos aqueles que através dela se exprimem.

     Parafraseando Fernando Pessoa “A língua portuguesa é a nossa pátria”, torná-la universal é respeitar o legado daqueles portugueses que a espalharam pelo mundo, é também tornar Portugal maior.

 

4) Considero eu que “escrever” é “comunicar”, tentar que se compreenda uma mensagem. Não se deverá por isso usar a mais simples das linguagens( exemplo António Aleixo )? Ou a qualidade do escritor avalia-se pela dificuldade da sua escrita ?

     Penso que a qualidade de um escritor não se avalia pela dificuldade da sua escrita. O dever de quem escreve é se comunicar, por isso, o texto, independentemente da forma em que é escrito ( prosa, poesia, prosa poética ), deve estar ao alcance de todos. A escrita permite que o autor/escritor reexamine o mundo, criando formas específicas de pensar e de conhecer, convidando o leitor a participar nesse jogo de introspeção e/ou análise de experiências de pensamento com todas as hesitações e dúvidas inerentes a esse processo.  A qualidade de um escritor reside na beleza e na verdade; na construção paradoxal que este faz do mundo, da sua visão e da construção que o leitor faz do mundo que lhe é apresentado na criação do escritor.

 

5) De há muito que a “rima” deixou de ser obrigatória na poesia, e na verdade há prosa verdadeiramente poética. Mas o que é poesia, onde a encontramos nos poemas sem rima?

     A poesia encontra-se no mundo, ou melhor, no modo como os nossos olhos vêm o mundo e num mundo excessivamente estimulado por imagens de apelos consumistas, a poesia é uma atitude de resistência da alma…

 

6) Como define o atual momento da literatura portuguesa? E da adesão do leitor?

     No terreno da produção cultural a nova geração de autores portugueses ocupa prateleiras, seduz críticos nacionais e estrangeiros e ganha um número cada vez maior de leitores. Na atual geração de escritores encontramos autores muito distintos, desde os que escrevem num estilo mais tradicional ( Inês Pedrosa, Miguel Sousa Tavares… ) aos que apostam numa linguagem experimental e numa escrita moderna ( José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares …), mas penso que o interesse de todos eles é o de criar o que a sua natureza a tal impele. Assim, assiste-se a um momento de grande produção /proliferação literária para os mais diversos gostos.

 

7)  Só é escritor quem publica livros?

     Parece-me óbvio que a leitura por parte de um público é algo que torna possível a existência de uma obra, mas quantos rascunhos se escondem num caderno esquecido de uma gaveta qualquer ou nos arquivos de um PC  de quem  espera, um dia, publicar uma obra?...Não podemos olvidar os casos de grandes autores que em vida permaneceram desconhecidos e cujos nomes só alcançaram o estrelato anos após a sua morte ( por exemplo Kafka )….e aqueles que por receio das criticas permanecem desconhecidos. Todos são escritores, com ou sem leitores…

 

8) Que projeto sugere para Montargil, no campo da Literatura?

     Uma biblioteca concebida como um projeto de formação de cidadãos, fomentando a relação quotidiana das pessoas e da comunidade com a leitura, a escrita, a aprendizagem permanente e a vida da comunidade.

 

 

9) E a terminar, uma mensagem….

     Que todos procurem a felicidade individual, porque considero que é do sucesso individual que se obtêm sem dúvida, o melhor para todos.

 

http://www.wook.pt/authors/detail/id/34292

 

Algumas obras já editadas: