Dulce Rodrigues

 

     Um escritor precisa, normalmente, de uma pequena nota biográfica, escrita na terceira pessoa, destinada a dar informação sobre si próprio quando publica livros ou qualquer outra obra literária. Eis a minha.

Bio: Dulce Rodrigues é uma escritora portuguesa que vive um pouco por toda a Europa. Gosta de jardinagem, fotografia, arte, música, animais e livros – tanto os dos outros como os que ela própria escreve, especialmente os que escreve para crianças e jovens… de todas as idades. É uma apaixonada por História e por viagens e adora os seus dois filhos. Leia excertos dos seus livros, os textos das suas conferências, os seus artigos sobre plantas medicinais, lendas e tudo o mais que encontrar no seu sítio web – www.dulcerodrigues.info – e sinta-se à vontade em lhe dizer o que pensa… sobre tudo ou quase tudo. Ela responde sempre às mensagens. Dulce Rodrigues foi distinguida com duas bolsas de estudos e quatro prémios literários, e algumas das suas peças foram representadas no estrangeiro.

Agora, a versão para crianças e jovens:

Era uma vez uma menina que adorava livros. Os livros são fonte de alegria, divertimento e conhecimento.

     Como estava muitas vezes doente, quando a iam visitar os familiares e amigos levavam-lhe sempre um livro. E quanto mais ela lia, mais gostava de ler. Como para tudo o resto, quanto mais conhecemos uma coisa, mais gostamos de a conhecer. Com a leitura passa-se o mesmo. E a imaginação dela enchia-se de estórias que a transportavam para outros mundos e que ela gostava de contar a outras crianças como ela.

     À medida que foi crescendo, a vida foi mudando e uma altura houve em que deixou de ter tempo para contar estórias. Mas estas continuavam a surgir na sua cabeça até à altura em que... Não dizem que na velhice voltamos à nossa meninice?

     E a criança de outrora passou de novo a ter todo o tempo que queria para contar estórias às crianças de agora! E as estórias sentiram-se felizes por poderem voltar do seu exílio forçado e encheram alegremente páginas e páginas de livros.

     Já deve ter adivinhado. Eu era essa menina. O meu nome é Dulce Rodrigues e sou autora premiada de livros e peças de teatro infanto-juvenis e também do sítio lúdico-educativo em quatro línguas - www.barry4kids.net.

     Desejo que os jovens de todas as idades gostem tanto das minhas estórias como eu adorei escrevê-las.

     E por fim, uma versão mais detalhada:

     O meu nome é Dulce Rodrigues e sou a autora de A Aventura do Barry e outros livros infanto-juvenis em português, francês, inglês e alemão, assim como do sítio multilingue para crianças e jovens www.barry4kids.net.

     Nasci num dia de Primavera, já lá vão muitos anos... "Alfacinha" e portuguesa de nacionalidade e de coração, vivi grande parte da minha vida na cidade que me viu nascer. Mas embora traga Lisboa e o meu belo Portugal sempre no coração, a minha “aventura” profissional levou-me a outras cidades e países. Durante cerca de quarenta anos, reparti a minha vida profissional entre o meu país de origem - que adoro - e os países estrangeiros que adotei e que me adotaram. Isso tem-me permitido divulgar mais facilmente a enorme riqueza cultural do meu país e conhecer de perto novas gentes e mentalidades, o que inevitavelmente abriu o meu horizonte espiritual e influenciou a minha própria vivência.

     Divido agora o meu tempo entre as viagens afetivas ou de lazer, e os livros - como leitora e como autora. Escrever, sobretudo para crianças, é fonte de grande prazer e realização pessoal.

      E porque a língua é a alma de um povo, a melhor maneira que encontrei para compreender os outros foi aprender a língua deles. Sou poliglota, falo seis línguas vivas e escrevo regularmente pelo menos em três, o que me permitiu ganhar quatro prémios em concursos literários internacionais com contos para crianças em três línguas.

     Os meus verdes anos passei-os no Bairro da Encarnação. Os meus pais mudaram-se para lá na véspera dos meus quatro anos. Ali frequentei a escola e encontrei os primeiros amigos e amigas, e muitas dessas amizades perduraram através do tempo; algumas, infelizmente, já nos deixaram prematuramente.

     Fui uma adolescente como tantas outras, mas nesse período da minha vida começou a manifestar-se o meu interesse pela escrita, pela Ciência e pela História... Circunstâncias várias levaram-me, contudo, a seguir primeiramente o campo das Letras. Talvez porque comecei cedo a contactar com Alemães, uma vez que o meu pai praticamente sempre trabalhou na Siemens em Portugal, apaixonei-me pela língua alemã, e logo após ter terminado o meu curso do British Council, inscrevi-me no Goethe-Institut, que alguns anos mais tarde me ofereceu uma bolsa de estudos, o que me levou a viver pela primeira vez num país estrangeiro e a começar a tomar verdadeiramente gosto pelas viagens.

     Regressei a Portugal, mas o apelo da Alemanha, que para uma jovem adulta da época representava a aventura e a liberdade, foi mais forte. Assim começou uma carreira profissional internacional que interrompi para voltar de novo para Portugal. Mas alguns anos depois parti novamente. E como a vida às vezes nos prega partidas, embora eu seja contra a guerra e contra tudo o que é violência, a verdade é que as minhas vivências profissionais no estrangeiro me levaram sempre a trabalhar com organizações de carácter bélico. Nos anos 60, na Alemanha, fui tradutora de inglês/alemão junto do ENGCOMEUR, por outras palavras, do Comando de Engenharia das Forças Armadas Norte-americanas na Europa, entidade que pertencia ao Ministério da Defesa dos Estados Unidos. Anos mais tarde, já nos anos 80 e no Luxemburgo, fiz parte do pessoal internacional da NAMSA, ou seja, da agência que faz a manutenção e reparação de material bélico para os países que pertencem à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Foi esta organização que me ofereceu a minha segunda bolsa de estudos, quando paralelamente à minha atividade profissional me decidi a pisar de novo os campos universitários, desta vez com uma universidade inglesa, para finalmente realizar o meu sonho no campo da Ciência.

     Tenho uma grande ânsia de aprender sempre e cada vez mais, e todos os assuntos me fascinam. A História é outra das minhas paixões, especialmente a de Portugal, e dela tenho feito o tema das minhas conferências. Adoro viajar e sou um pouco como o vento - sempre em constante deslocação. Mas aprecio igualmente o aconchego da minha casa, quer seja a de Portugal ou a da Bélgica. Sou uma apaixonada pela Natureza, pela sua grandeza e diversidade. Aprecio todas as formas de expressão artística, desde que elas nos transmitam Beleza, pelo que sinto uma grande tristeza quando penso na Arte - se é que podemos dar-lhe esse nome - que nos legou o final do século XX e com que se estreou o século XXI. E porque amo a Vida, ela também tem sabido amar-me.

     Sou membro de várias associações, tanto em Portugal como no estrangeiro.

     Tenho dois filhos que são o melhor presente que a Vida me podia ter dado.

 

 

 

    

 

 

 

 

CONHEÇA DULCE RODRIGUES

 

http://www.barry4kids.net/BARRY/PT/dulce_rodrigues_pt.html

 

 

A LEITURA – um hábito que dá prazer mas pede sacrifício

Muitas pessoas acreditam que as crianças e os jovens já não leem e só querem ver TV e jogar com Nintendo, e culpabilizam a internet e as novas tecnologias por isso. Tenho uma opinião diferente. Como digo no meu sítio infanto-juvenil www.barry4kids.net, pela boca do cão Barry, “acho que a internet pode ajudar os jovens a criar hábitos de leitura.”

     Os problemas da perda de gosto pela leitura variam de país para país, de acordo com o grau de literacia e de cultura do seu povo. Mas, existem outras razões. Nestes últimos decénios, tem-se assistido a uma degradação acelerada de princípios morais básicos, como o respeito, a disciplina, a autoridade (não confundir com autoritarismo, uma confusão muito politicamente correta nos dias de hoje) e, inevitavelmente, a vida familiar. Vive-se numa sociedade que privilegia o “parecer” em vez do “ser”.          Tornámo-nos seres superficiais; deixámos de ser autênticos. Apreciamos tudo o que é fácil de obter, pondo de lado e evitando tudo o que dá trabalho. É a sociedade do “prazer”, do “divertimento”. Os pais deixaram de ter tempo para se ocuparem dos filhos, pois estão demasiado ocupados em “curtir” a vida. E como o exemplo vem sempre de cima – quer seja bom ou mau – os filhos seguem o exemplo dos pais e querem da vida o que lhes dê prazer imediato e não trabalho.

 

     Ora, aprender a ler não é, em princípio, nem um prazer nem um divertimento; requer esforço e disciplina – qualidades que não foram inculcadas desde a infância nas atuais gerações. Contudo, a leitura, além de fonte de conhecimento, pode tornar-se num prazer e num divertimento. A leitura é o veículo que nos transporta para outros mundos – o mundo da Criatividade e do Saber. O progresso da humanidade fez-se através de, pelo menos, estes dois elementos que despertam logo no início da nossa vida.

 

     O hábito da leitura começa muito mais cedo do que na escola; começa no seio da família. Tal como para qualquer outro Primata, também a aprendizagem do bebé humano se faz nos primeiros 4-5 anos da sua existência. Na formação do carácter de qualquer indivíduo obviamente que os genes têm um papel importante que, contudo, não representa senão uma pequena percentagem em relação a outros fatores como o meio familiar e o meio social em que se está inserido, responsáveis por parte da nossa educação.

 

     Quantos de nós não fizemos já a pergunta: “Como é possível que seres tão curiosos de saber, de aprender, de investigar como são as crianças, podem transformar-se em seres tão amorfos e ignorantes como são a maioria dos adultos?” A resposta é: “Esses mesmos adultos são aqueles que foram “castrados” intelectualmente em crianças por adultos também eles vítimas de castração intelectual. É um círculo vicioso familiar do qual tem de se sair em determinado momento, e o melhor momento é precisamente o período da primeira infância, para podermos "sair" ainda antes de termos "entrado".

 

     Quando as crianças chegam à idade escolar, já levam esses maus ou bons hábitos de leitura inculcados. Mas, claro, ainda se está muito a tempo de inverter o processo; só é preciso querer.

 

     Felizmente, as crises da humanidade são cíclicas – a História assim o tem provado – e as coisas estão a mudar, mais que não seja porque as circunstâncias a isso nos obrigam, e estamos voltando a antigos valores humanos que se perderam ao longo destes decénios. Mas os progressos são lentos – é mais fácil e rápido destruir do que reconstruir. 

 

                                                                                             

Um livro, uma prenda para todas as ocasiões

 

     Do mesmo modo que, para o autor, a escrita é o interlocutor paciente que não questiona as suas perguntas mas que lhe sabe sugerir respostas, ajudando-o a analisar os factos de uma maneira mais objetiva e lúcida, também para o leitor o livro é aquele amigo paciente que não o julga nem critica, mas que o ajuda a encontrar as respostas que procura em vão algures; que lhe permite evadir-se de uma realidade que por vezes o sufoca; que lhe poderá até apontar o caminho a seguir para atingir metas que julgava inacessíveis.

 

     Um livro é um utensílio através do qual tomamos contacto com novos mundos e culturas até aí desconhecidos. Um livro é uma ponte para se ultrapassarem fronteiras, sejam essas fronteiras geográficas, de raiz religiosa, económica, ou outras. Mas, há que distinguir o livro de um objeto decorativo para pôr na prateleira. A apresentação gráfica de um livro é importante, mas é sobretudo o seu conteúdo literário que nos deve interessar, pois é nele que reside o valor intrínseco de um livro.

 

Poderemos encontrar melhor prenda do que um livro, qualquer que seja a altura do ano?

                                                                                           

Uma Criança, Um Livro

Nelson Mandela sempre desejou que todas as crianças tivessem acesso ao mundo maravilhoso dos livros.

Como autora – sobretudo de livros infanto-juvenis – sinto igualmente a necessidade de fazer partilhar às crianças a magia das palavras e incentivá-las cada vez mais à leitura.

Os livros transmitem às crianças conhecimentos sobre assuntos variados, sobre outros povos e culturas. Os livros contribuem (dependendo do seu conteúdo, claro) para o enriquecimento cultural das crianças, permitindo-lhes descobrir e despertar capacidades e vocações que, de outro modo, poderiam ficar ignoradas e adormecidas para sempre.

Numa palavra, um livro é uma ponte que aproxima as pessoas, ultrapassando fronteiras, sejam essas fronteiras geográficas, de raiz religiosa, económica, ou outras.

 

                                                                                              Dulce Rodrigues

                                                                                              Messancy, 22 de Abril de 2014